A flor, o mascote.

Toda guerra merece um jardim. Onde haja flores e não se pise na grama. Uma Suíça em meio ao caos. Mas uma Suíça tropical à beira-mar, com ar condicionado central, temperatura amena a semana toda e sol aos domingos.
Toda guerra precisa de uma Cruz Vermelha. Que cuide dos feridos e dê alento às almas doentes. Doutora da alegria, capaz de semear um bem-estar, apenas ao passar.
Toda guerra precisa de humanidade. Um sorriso, uma musa, uma Palas com sua égide a proteger-nos todos os gregos e goianos. Alguém que contamine o bem e sintetize a mudança em seu olhar.
Nossa batalha, a boa batalha, está ganha. Sem saltos altos. Basta olhar no mel da Joanoca. Um doce que não enjoa. E faz a gente virar Zé Colméia.
Joana era pra ser o feminino de João. Mas em nosso caso, é o feminino de Marcelo. O feminino com o que ele tem de mais bonito, de mais forte, de mais sedutor. Joana é feminino como a esperança. Mudança que começa com o brilho do olho.
Quando eu tinha 14 anos, ainda durante a ditadura, Clotilde, irmã do Prestes, que passava todo mês lemcasa recebendo a contribuição para o Partido poder sustentar os velhos militantes ou suas viúvas, me recomendou: “vá ao cinema, veja Hair que é um filme genial, um libelo antimarcial”. Obediente ao “centralismo” e aos mais velhos, óbvio que fui. Fiquei escandalizado, como uma anciã de 80 anos, ex-moradora da Sibéria, podia recomendar um musical com tanto sexo, drogas e roquenroll?!?! Até pouco tempo, eu mantinha o cabelo grande por causa desse filme, por causa da causa de Clotilde. Reparem no cabelo da Joana. No seu tom de alvoroço. Não é um sinal claro da mudança?
Um novo dia está por vir. Quando o sol nascer, lembrem dos olhos dessa moça.


1 Comments:
Já mergulhei nesse mel. Sei dela há muito, quando esses olhos ainda remelavam a infância e a inquietude dela avisava: essa vai ser retada! Foi. Não podia ser diferente. Conheço a cepa. A de origem e a que se construiu no cipoal dos seus cabelos. Quem quiser se aventurar que vá, mas cuidado, essa floresta é encantada. Reina, lá dentro, misteriosa e linda, uma maga joana.
Cauê
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