Bahiano, The Wall.
Tendo conhecido Jorge, vou precisar rever minhas teorias a respeito da Bahia. Como bom xenófobo carioca, em vez dos paulistas, eu escolhi, originalmente, os bahianos.Achava que esta terra, ma-ra-vi-lho-sa e iluminada por Deus, já deu sua cota de participação ao Brasil. Foram tantos nomes ligados à cultura e à política: Ruy Barbosa, Jorge Amado, João Gilberto, Caetano, Gil, Gal, Bethânia, ACM, ACM Filho, ACM Neto...
Ora, qualquer agricultor sabe que para não esgotar o solo, precisa fazer rodízio. Então, minha idéia era cercar a Bahia com um muro de 7m de altura, ninhos de metralhadora funcionando a cada 500m para evitar saídas. E obrigação Constitucional de devolver, lá pra dentro, todo bahiano que estiver aqui fora, cantando que tem saudades da Bahia. Estava convencido de que o mundo seria um lugar bem mais humano e aprazível sem os trios elétricos, a dança da bundinha, o tchan, o axé, o sarapatel e a lambada.
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Antes de vir pra cá, Dudu me pediu que sugerisse uns nomes de Diretor. Chequei com bons amigos que trabalharam na Bahia. E ambos foram precisos: Jorge Felippi (será esse sobrenome um sinal de bahianagem ou numerologia mesmo?). Por razões alheias a qualquer vontade, acabamos não nos conhecendo nesse momento, embora eu tenha tentado bastante achá-lo.
Não é que o cidadão me aparece de todas as maneiras? Quando o destino cruza a sua vida, não há como escapar.
Chegou o cabra. Mansinho. Meio descabelado. Com um olho crítico da porra. Bom gosto. Gentileza. Zero stress. E uma experiência de deixar gato escaldado com saudades d’água morna.
Defeitos? Sim, acho que tem. Por exemplo, aquele menino lindo, o Bernardo, ser assim tão enganado, achando que o pai é bonito! Isso é uma violência contra a infância. O que vai ser do pobrezinho quando crescer e descobrir que Papai Noel não existe?
Jorge é dessas pessoas que me faz ter certeza de que, para ser um puta profissional, não precisa gritar, arrotar cheiroso, pisar no pescoço de ninguém, bater na mesa, nem fazer cara feia. MUITO PELO CONTRÁRIO. Basta ser bom no que faz, respeitar a equipe, confiar no próprio taco e agregar. E se, além de tudo, ainda falar baixo, melhor. Faz a gente prestar mais atenção nele.
Aliás, na próxima campanha, vou seguir o conselho de meus amigos. E prestar mais atenção onde esse cara vai estar. Sinto cheiro de vitória por lá.


1 Comments:
Vespa, mandou bem novamente... Não trabalho diretamente com o Jorge, mas em 2002 eu e toda a equipe ficamos admirados com o status zen dele... me faz lembrar um pouco o Guel Arraes, com quem cheguei a trabalhar in loco há tempos atrás. Uma astral esse diretor... Axé pra esse outro Jorge da Bahia!!!
Abraço!
Marcelo, o Rangel
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